A época de festas e o abuso de substâncias

A época de festas e o abuso de substâncias

É chegado o momento de abordar uma questão recorrente e de grande apelo à saúde pública, que contrasta fortemente com o espírito de congregação inerente ao Natal e Réveillon: o abuso de substâncias, ou uso nocivo de álcool ou de drogas, que se torna mais frequente durante este período festivo, muitas vezes levando a desfechos catastróficos.

Em praticamente todas as reuniões familiares já é conhecido aquele parente chato, que nas ocasiões similares bebe demais e se transforma em estorvo, provocando e apresentando comportamentos inadequados e, por vezes, inaceitáveis. Depois de tomar “todas” na reunião familiar, muitas vezes misturando diferentes tipos de bebida, discute com seus mais próximos por querer dirigir seu carro, colocando em risco a integridade física de si, da família ou mesmo de outros que porventura cruzem seus caminhos. Ainda que a polícia se esforce para aplicar a tolerância zero nas estradas, é nas próprias cidades que o risco é maior e frequentemente sem a mesma vigilância. Torna-se lugar comum a afirmação do aumento dos acidentes de trânsito nesta época do ano.

O mesmo ocorre em relação a incêndios, uma vez que o animadinho descrito acima também insistirá em soltar os fogos à meia noite, comemorando o fim de um dos anos mais difíceis das últimas décadas para praticamente toda a sociedade brasileira.

Para os dependentes, o período é de enorme risco: o espírito de festejar, associado com dias de folga do trabalho, convivência com outros usuários e às vezes com dinheiro no bolso, passa a ser irresistível à sedução das substâncias. É muito comum um esforço de meses em busca da abstinência ser desperdiçado nesse período com inúmeras recaídas. O dependente se dá a desculpa “é só hoje, que é festa” e recomeça um período de meses antes que novamente seja forçado, pelas consequências mais diversas, de dissabores familiares a doenças físicas, a retomar um tratamento e novamente, com intensa dificuldade, voltar a abster-se do consumo.

Obviamente todos os exemplos que citamos sobre o álcool, a substância psicoativa mais utilizada, são também válidas para todas as outras drogas. Encerrando mais esse ano de trabalho, agradecemos a atenção dos leitores, o retorno positivo que recebemos, desejando uma época festiva de muita harmonia e afeição familiar, evitando possíveis excessos, para que a alegria seja completa.

Dr. Marcos da Costa Leite
Psiquiatria Clínica – CRM/SC 21735

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